No Brasil, moeda virtual serve até na hora de comprar uma casa

O Bitcoin é provavelmente a moeda virtual mais conhecida do mundo. No início, ele ganhou força entre grupos de tendências anarquistas ou libertárias: seria uma forma se se livrar da influência dos bancos e dos governos. Mas aos poucos, ele vem assumindo um papel mais mainstream, sendo aceita por cada vez mais empresas – inclusive no Brasil.

Esta semana, a construtora Tecnisa anunciou que passará a receber bitcoins como parte do pagamento de seus imóveis, e promete que “futuramente, qualquer pagamento à Tecnisa poderá ser feito usando bitcoins”.

Por enquanto, a Tecnisa só aceita bitcoins no pagamento da primeira parcela da entrada, limitado ao valor de R$ 100.000. Também é preciso avisar ao seu corretor que você quer pagar com moeda virtual; a transação é feita através da parceira Bitinvest. Promocionalmente, a taxa de corretagem será paga pela construtora, e ela dará 5% de bônus no valor pago em moeda virtual.

Bitcoin no mundo real

No Brasil, já existem cerca de 100 estabelecimentos que aceitam bitcoins: em São Paulo, por exemplo, a moeda virtual é aceita em alguns bares, academias, em uma galeria de arte e até em uma clínica veterinária. Você pode conferir a lista completa no coinmap.org.

A moeda vem sendo adotada ainda mais amplamente no exterior. Em julho, a Dell passou a aceitar bitcoins em sua loja online de computadores nos EUA. E em setembro, o PayPal começou a permitir transações em bitcoin entre empresas e clientes na América do Norte.

Alguns serviços também vêm simplificando o uso da criptomoeda. O Coinbase e o Circle oferecem interfaces intuitivas para você conectar sua conta bancária à uma carteira bitcoin e comprar moedas. Realizar transações também é fácil: basta usar seu endereço bitcoin, uma sequência única de caracteres. Infelizmente, eles ainda não permitem que brasileiros comprem e vendam bitcoins.

Comprando e usando bitcoin

Se você quiser comprar bitcoins, há diversas opções no Brasil: por exemplo, temos a Mercado Bitcoin, a BitcoinToYou e a já citada Bitinvest. Cada uma cobra diferentes comissões para cada transação (compra/venda/retirada em reais).

Na hora de se cadastrar, também é preciso enviar uma foto do seu RG e CPF (ou carteira de motorista), mais um comprovante de endereço. Há também uma série de casas de câmbio no exterior que vendem bitcoins para brasileiros – confira neste link.

Uma das vantagens do Bitcoin é transferir valores para onde você quiser, ou até mesmo fazer uma compra no exterior, sem pagar impostos por isso. No entanto, a Receita Federal já avisou que quem possui R$ 1.000 ou mais em Bitcoins precisa declará-los no imposto de renda.

Um dos problemas de armazenar valor no bitcoin é que ele é uma montanha-russa: após ultrapassar a marca dos US$ 1.000 no ano passado, ele caiu constantemente até atingir os atuais US$ 344. Um exemplo pessoal: em agosto deste ano, eu recebi US$ 10 em bitcoins; hoje, eles valem apenas US$ 6,60.

Ainda há o risco de perder dinheiro, se a casa de câmbio sofrer ataques. Este ano, a enorme casa de câmbio Mt. Gox desapareceu com o dinheiro dos usuários. Nos últimos três anos – basicamente a época na qual o Bitcoin se tornou relevante – foram cerca de US$ 623 milhões em moedas virtuais perdidas em ataques hacker.

“Ele vai revolucionar os bancos”

À medida que vem sendo adotado por empresas convencionais, o Bitcoin vai perdendo a imagem de moeda usada para negócios ilegais. Ele esteve sob os holofotes no ano passado depois que o FBI apreendeu o Silk Road, então o maior site anônimo de venda de drogas.

Mas, aos poucos, o Bitcoin vai sendo regulamentado e usado para fins legítimos. Chris Skinner, do Financial Services Club, diz ao Financial Times:

Não se pode ter dinheiro sem governo: o dinheiro foi criado pelo governo para controlar as pessoas. Por isso, você precisa ter governos controlando o fluxo de valor, e é isso o que eles farão com o Bitcoin ou com qualquer outra troca de valor no futuro.

O Bitcoin é difícil de derrubar, e mesmo que acabasse, não seria o fim para as moedas virtuais. Afinal, não faltam concorrentes: Litecoin, Dogecoin, Zerocoin, Darkcoin, entre muitas outras.

Além disso, as criptomoedas preenchem um espaço em um mundo onde as transações são cada vez mais virtuais. John Authers, do FT, diz:

O Bitcoin não vai derrubar governos, não vai substituir o ouro, mas nos bastidores, de formas que muitos de nós jamais verão, há uma grande chance de que ele vai revolucionar os bancos.


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